
Minha mão se apresentou aos poderosos
Foi firme na confiança
Inclusive com aqueles que falam por Deus
Minha mão apertou mão de traidores
Saudou os omissos
Minha mão cumprimentou autoridades
Foi traída por amigos
Minha mão secou lágrimas
Minha mão tremeu de medo
Minha mão se levantou na indignação
Minha mão acariciou adúltero
Minha mão teclou pedindo ajuda
Escreveu apelos
Preparou denúncias
Minha mão tremeu
Minha mão acorrenta portões
Minha mão trabalhou
Minha mão se cerrou na ira
Telefonou por auxílio
Minha mão bateu no peito
Assinou por imposição
Minha mão se sujou da lama dos
devassos e prevaricadores
Minha mão se banhou em águas
Minha mão pediu água
Minha mão fez o sinal da cruz
Minha mão direita se juntou a esquerda e juntas em prece rezaram para que nunca mais tenham entre elas mãos de traidores, inescrupulosos, opressores e omissos!
Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos em presença da multidão, dizendo: «Estou inocente do sangue deste justo: Isso é convosco». E todo o povo respondeu: «que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!»” (Mat. 27, 24-25)
Mãos honradas se apresentam neste tempo
no estupor, pela constância de minhas mãos.
Mãos ainda cautelosas e investigativas
Mãos que não se lavarão pois querem após tantos séculos
Deixarem o legado da verdade e justiça.
Mãos que desejo entre as minhas.
Ana Maria C. Bruni 20/07/2007